Vanessa Mulet inicia novo ciclo à frente da Frente Negra Gaúcha com foco em continuidade, formação política e fortalecimento institucional

Reempossada para a gestão 2025–2027 da Frente Negra Gaúcha, Vanessa Mulet destaca continuidade de projetos estruturantes, fortalecimento das juventudes negras e modernização institucional da entidade. Crédito: Luis Ferreirah
Vanessa Mulet inicia novo ciclo à frente da Frente Negra Gaúcha com foco em continuidade, formação política e fortalecimento institucional
Reeleita em 06 de novembro de 2025 e reempossada no dia 06 de dezembro para a gestão 2025–2027 da Frente Negra Gaúcha, Vanessa Mulet projeta um novo ciclo marcado pela continuidade de ações de formação política, fortalecimento das juventudes negras e ampliação da incidência institucional da entidade no Rio Grande do Sul. Em entrevista concedida à jornalista Silvia Abreu, a presidenta fala sobre os desafios impostos pelo atual cenário político, a defesa das políticas antirracistas, a importância da cultura como território de resistência e as estratégias da organização para consolidar sustentabilidade, participação coletiva e presença negra nos espaços de poder.
1) Ao assumir a direção da Frente Negra Gaúcha, quais são as urgências que se impõem neste momento histórico, tanto no campo político quanto cultural?
Vanessa Mulet: As urgências atuais exigem a consolidação da presença negra nos espaços de decisão, especialmente para garantir a manutenção dos avanços que voltaram a ocorrer no cenário nacional. O grande desafio, agora, é o enfrentamento à polarização política e às possíveis ameaças à garantia de direitos e avanços sociais e antirracistas que conquistamos. Nossa prioridade é assegurar que essas políticas de reparação se tornem permanentes e imunes a oscilações partidárias. Para isso, vamos reforçar nossa campanha do voto em pretx consciente, mantendo a vigilância ética e a articulação suprapartidária para proteger o que foi construído.
2) Ao ser reconduzida à presidência, que continuidades você considera essenciais preservar e quais transformações se tornam necessárias neste novo ciclo da Frente Negra Gaúcha?
Vanessa: A continuidade essencial é o nosso compromisso com o aquilombamento e a escuta ativa da base. A transformação deste novo ciclo (2025-2027) foca na modernização institucional. Em 2026, estamos realizando o processo de recadastramento de associados e associadas, garantindo uma gestão de dados eficiente. Nosso site já foi totalmente adequado às exigências da LGPD, incluindo termos de autorização de uso de imagem e voz. Além disso, estamos estruturando nosso sistema de cobrança de mensalidades para torná-lo mais acessível e prático, fortalecendo a sustentabilidade financeira da nossa organização de forma transparente.
3) Em um cenário ainda marcado por desigualdades raciais profundas, como a Frente pode atuar de forma concreta na incidência de políticas públicas no Rio Grande do Sul?
Vanessa: A Frente manterá sua atuação ativa e propositiva na construção de caminhos para a eleição de pessoas negras e no fortalecimento das bancadas pretas, que hoje já ocupam espaços nas esferas municipal, estadual e federal. Continuaremos ocupando espaços estratégicos em conselhos tutelares e de direitos, desenvolvendo estratégias de apoio e formação política. Nossa força reside na articulação para que o investimento público chegue efetivamente às comunidades, evitando que a polarização política paralise a execução de políticas fundamentais para a população negra gaúcha.
4) A cultura sempre foi um território de resistência e afirmação para a população negra. Como essa dimensão aparece nas prioridades da sua gestão?
Vanessa: A cultura é o chão que nos sustenta e a linguagem de denúncia e afirmação. Manteremos nosso apoio a projetos sociais e coletivos de base, além da promoção de formações, rodas de diálogo e seminários. Nesta gestão, daremos continuidade a projetos de alto impacto, como a segunda edição do Zumbi Solidário, que será ampliado com a produção de um documentário registrando nossa memória e atuação. Além disso, estamos em busca de edital para a publicação do segundo livro com o selo editorial da FNG, consolidando nosso papel na difusão da literatura e da cultura afro-gaúcha.
“A Frente manterá sua atuação ativa e propositiva na construção de caminhos para a eleição de pessoas negras e no fortalecimento das bancadas pretas, que hoje já ocupam espaços nas esferas municipal, estadual e federal.”
5) Que estratégias você considera fundamentais para fortalecer o engajamento das novas gerações na luta antirracista e na construção de coletividade?
Vanessa: Nossa estratégia valoriza o encontro geracional e, na edição de 2026 do Programa Potências Negras, direcionamos um olhar de maior intencionalidade para as juventudes. Após o sucesso da primeira edição focada em letramento racial e formação política, este novo ciclo foca no desenvolvimento de competências, o conjunto articulado de conhecimentos, habilidades e atitudes. O conteúdo será voltado para o aprimoramento de lideranças e para ferramentas práticas de escrita de projetos e captação de recursos. O objetivo é formar jovens para buscarem sua própria sustentabilidade e também para viabilizarem projetos que venham a desenvolver na comunidade ou em sociedade. Por meio de Emenda Parlamentar da Deputada Federal Daiana Santos e com a parceria do Instituto Social 10 e do Centro das Juventude Cruzeiro, ganhamos capilaridade para que as juventudes ocupem espaços de gestão com autonomia e impacto real.










