Aula Aberta no Centro da Juventude marca início da segunda etapa do Programa Potências Negras

(De E para D) Margareth Abreu, coordenadora do Centro da Juventude, a deputada Daiana Santos e a presidenta da FNG, Vanessa Mulet. Crédito: Leonardo Rosa
Aula Aberta no Centro da Juventude marca início da segunda etapa do Programa Potências Negras
Cerca de 110 pessoas participaram, na tarde da quinta-feira (14), da Aula Aberta que marcou o início da segunda etapa do Programa Potências Negras, promovido pela Frente Negra Gaúcha, no Centro da Juventude Cruzeiro, em Porto Alegre. O encontro reuniu professoras, professores, estudantes, agentes comunitários, representantes de movimentos sociais, integrantes da diretoria da entidade e lideranças de diferentes territórios da Capital, consolidando o programa como uma importante ferramenta de formação política, fortalecimento comunitário e promoção da igualdade racial no Rio Grande do Sul.
A atividade contou com a participação do professor e especialista em letramento racial Juliano Guedes, que ministrou a aula “Potências Negras com foco na incidência política e no fortalecimento territorial”, além da deputada federal Daiana Santos, que abordou a importância da participação política das juventudes. O evento foi marcado por reflexões sobre autonomia comunitária, acesso a direitos, elaboração de projetos sociais e fortalecimento de lideranças negras periféricas.
Viabilizado com recursos do Ministério da Igualdade Racial, por meio de emenda parlamentar da deputada Daiana Santos, o Programa Potências Negras conta com a parceria do Instituto Social 10, com aulas presenciais no Centro da Juventude Cruzeiro. Nesta nova etapa, o projeto amplia sua atuação com foco na instrumentalização técnica para elaboração de projetos sociais e captação de recursos, fortalecendo iniciativas comunitárias já existentes nos territórios.
Para Vanessa Mulet, presidenta da Frente Negra Gaúcha e coordenadora pedagógica do programa, a grande participação do público reafirma a relevância da iniciativa. Além disso, evidencia o desejo coletivo de construção de novas possibilidades para as comunidades negras.
“Ver esse espaço cheio, com pessoas de diferentes territórios, gerações e trajetórias, reafirma que existe uma necessidade urgente de formação comprometida com a transformação social e com o fortalecimento das nossas comunidades. O Potências Negras nasce da escuta dos territórios e da compreensão de que acessar mecanismos de fomento, elaborar projetos e disputar espaços de decisão também é um exercício de cidadania e emancipação coletiva”, destacou.
Vanessa também ressaltou o caráter contínuo da iniciativa e o fortalecimento das redes construídas ao longo da primeira edição do programa. “Estamos dando continuidade a um processo que já demonstrou sua potência. Queremos contribuir para que lideranças negras reconheçam suas capacidades, ampliem suas ferramentas de atuação e fortaleçam o impacto que já produzem em seus territórios. O aquilombamento e o fortalecimento coletivo seguem sendo os pilares dessa caminhada”, afirmou.
A coordenadora técnica do projeto, professora Lilian Conceição da Silva, destacou a importância do encontro presencial como espaço de construção de vínculos e troca de experiências. Segundo ela, o momento também favorece a elaboração coletiva de conhecimento.
“A Aula Aberta demonstrou a força da proposta pedagógica do Potências Negras e o quanto nossas comunidades desejam participar de processos formativos que dialoguem com suas realidades concretas. Tivemos um encontro profundamente potente, atravessado pela escuta, pela participação e pelo reconhecimento mútuo entre lideranças que já atuam diariamente em seus territórios”, avaliou.
Segundo Lilian, a nova etapa do programa responde a uma demanda identificada junto às próprias lideranças periféricas e negras participantes da primeira edição. “Existe uma urgência em instrumentalizar tecnicamente essas lideranças para que possam acessar políticas públicas, editais e mecanismos de financiamento capazes de fortalecer iniciativas já existentes nas comunidades. Nossa proposta pedagógica afrocentrada parte justamente desse compromisso: unir ancestralidade, formação crítica e ferramentas práticas de transformação social”, explicou.
A coordenadora do Centro da Juventude Cruzeiro, Margareth Abreu, ressaltou a importância da parceria estratégica. “Nos reunimos para fortalecer um debate fundamental: a importância das relações étnico-raciais, da participação política e do fortalecimento das juventudes em nossos territórios”, ressaltou.
Ao longo da programação, os participantes acompanharam debates sobre incidência comunitária, protagonismo negro, participação política, justiça racial e fortalecimento territorial. O clima de acolhimento, troca e mobilização coletiva marcou o início das atividades presenciais, para duas turmas, da segunda etapa do programa, que seguirá com uma turma no curso online e encontros formativos ao longo das próximas semanas.
O Programa Potências Negras oferecerá, ao todo, 160 vagas, sendo 80 presenciais e 80 online, consolidando-se como uma experiência de educação popular afrocentrada voltada à formação de lideranças e ao fortalecimento das periferias gaúchas. As inscrições para as aulas online podem ser feitas até 30 de maio, por meio do link: https://docs.google.com/forms/d/1d1DLKBetev-X2D2TzZdrvWJqNXqcGkyfgEXxz2pxou4/edit

Vanessa Mulet, o palestrante Juliano Guedes, ex-coordenador pedagógico do Potencias Negras e a atual coordenadora, professora Lilian da Silva

A plateia participou atentamente das palestras. Crédito: Leonardo Rosa










